Principais endemias no Brasil: um guia para gestores de saúde

Principais endemias no Brasil: um guia para gestores de saúde

O Brasil enfrenta há décadas importantes desafios relacionados às doenças endêmicas. Essas enfermidades impactam diretamente a saúde pública e exigem constante atenção dos gestores, que precisam articular ações de vigilância, prevenção e controle.

Entendendo os conceitos: Endemia, Epidemia, Pandemia e Surto

Entender as diferenças entre endemia, epidemia, pandemia e surto é fundamental para planejar estratégias eficazes de saúde pública e reduzir o impacto dessas doenças na população.

O que caracteriza uma endemia?

Uma endemia é caracterizada pela presença constante de uma doença em determinada região ou população, geralmente associada a fatores ambientais, sociais e biológicos. No Brasil, enfermidades como dengue, malária e leishmaniose são exemplos clássicos de endemias.

Diferenciando uma epidemia de um surto

  • Epidemia ocorre quando há aumento inesperado de casos de uma doença em uma região ou período específico.
  • Surto é semelhante à epidemia, mas se restringe a um local menor e mais delimitado, como uma escola, bairro ou comunidade.

O que significa uma pandemia?

Pandemia refere-se a uma epidemia que se espalha por múltiplos continentes ou de forma global, afetando uma população muito grande, como ocorreu com COVID-19 ou com a gripe espanhola.

Saiba também: Como é medida a velocidade de propagação de doenças

As endemias mais prevalentes no território brasileiro

Entre as doenças endêmicas que mais impactam a saúde dos brasileiros, destacam-se as transmitidas por vetores, como:

Dengue, Zika e Chikungunya: as arboviroses urbanas

A dengue continua sendo uma das maiores preocupações da saúde pública nacional. Em 2024, o país ultrapassou a marca de 6,48 milhões de casos prováveis, com 5.972 óbitos confirmados e outros 908 em investigação, o que corresponde a uma incidência de mais de 3.100 casos por 100 mil habitantes.

A transmissão se dá principalmente em áreas urbanas, onde o Aedes aegypti encontra condições ideais em criadouros domésticos, lixo acumulado e falhas no saneamento básico. Além da dengue, Zika e Chikungunya permanecem circulando, com maior impacto em populações urbanas e periurbanas.

Saiba mais: Como funciona a notificação de óbito por arbovirose

Onde a dengue é endêmica?

A dengue é endêmica nas regiões tropicais do mundo. No Brasil, está presente em praticamente todo o território brasileiro, mas os estados do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste lideram em número absoluto de casos.

Febre Amarela

A febre amarela é endêmica nas áreas de floresta do Norte, Centro-Oeste e parte do Sudeste, com transmissão silvestre mantida por mosquitos como Haemagogus e Sabethes.

Em 2025, até março, o Brasil já havia registrado 81 casos confirmados em humanos e 31 mortes, superando os números de todo o ano de 2024, que contabilizou 61 casos e 30 óbitos. O aumento motivou um alerta da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e reforço das campanhas de vacinação em estados como São Paulo, Minas Gerais e Tocantins.

Leishmaniose

Segundo a OPAS, a leishmaniose é endêmica em 99 países, mas o Brasil, ao lado de Etiópia, Quênia e Sudão concentra 60% dos casos de leishmaniose visceral.

Tanto a leishmaniose visceral quanto a tegumentar são endêmicas em diversas regiões brasileiras, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com grande parte dos registros ocorrendo no meio rural.

A transmissão é feita pelo mosquito-palha (Lutzomyia) e está fortemente associada a condições precárias de moradia, presença de cães como reservatórios e desmatamento. A leishmaniose visceral é a forma mais grave e pode levar ao óbito se não tratada, enquanto a tegumentar causa lesões cutâneas e mucosas de difícil cicatrização.

Leia também: Congressos de saúde pública a que todo gestor deve ficar atento

Malária: a endemia da região Amazônica

A malária continua fortemente concentrada na Amazônia Legal, onde ocorre mais de 99% dos casos autóctones do país. Em 2024, foram registrados 138.493 casos locais. O primeiro trimestre de 2025 mostrou queda de 26,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, com redução também no número de óbitos.

Ainda assim, os números permanecem alarmantes em algumas áreas, como na Terra Indígena Yanomami, que registrou cerca de 33 mil casos apenas em 2024, quase metade deles em crianças de até 9 anos.

Outras doenças endêmicas de destaque no Brasil

Além das doenças acima, o Brasil enfrenta outras endemias relevantes. A hanseníase, por exemplo, continua sendo um problema de saúde pública, com o Brasil tendo sido o 2º país com o maior número de casos em 2023.

A esquistossomose persiste em áreas de saneamento precário, a leptospirose é comum após enchentes urbanas, e a doença de Chagas ainda apresenta transmissão residual, especialmente na região Norte.

Fique por dentro: Case de Sucesso contra a Dengue em Santos/SP

Contexto nacional e fatores de risco

A persistência dessas endemias está diretamente ligada a determinantes sociais e ambientais. A falta de saneamento básico, ainda uma realidade para milhões de brasileiros, favorece a disseminação de doenças transmitidas por vetores e pela água contaminada.

A pobreza e a desigualdade social reduzem o acesso a serviços de saúde e a medidas de prevenção, como a vacinação e o uso de repelentes.

Fatores climáticos, como altas temperaturas e chuvas intensas, ampliam a proliferação de mosquitos. Já o desmatamento e a ocupação desordenada da Amazônia criam novos cenários de risco para malária e leishmaniose.

A desinformação também contribui para baixa adesão às estratégias preventivas, enquanto regiões remotas enfrentam dificuldades no acesso a diagnóstico e tratamento.

Saiba mais: Biomas brasileiros e a proliferação de mosquitos vetores de doenças

Combatendo endemias com ações multissetoriais

O enfrentamento das endemias no Brasil exige ações integradas que vão muito além do setor saúde. A educação em saúde é fundamental para mobilizar comunidades e estimular mudanças de comportamento que reduzam a transmissão de doenças.

A colaboração entre governos, sociedade civil e instituições de pesquisa potencializa os resultados e garante maior alcance das intervenções. Além disso, a capacitação continuada de profissionais de saúde fortalece a vigilância epidemiológica e melhora a resposta frente a surtos.

O uso de tecnologias de georreferenciamento e análise de dados também vem se destacando como ferramenta essencial para mapear áreas de risco, prever epidemias e otimizar a alocação de recursos.

Saiba mais: Como prever surtos de dengue com análise preditiva?

Tecnologia brasileira auxilia na luta contra endemias transmitidas por vetores

A coleta e análise de dados são fundamentais para que gestores de saúde pública tomem decisões rápidas e eficazes no enfrentamento das endemias.

Mapear áreas de risco com precisão permite direcionar recursos de forma mais eficiente, priorizando bairros e regiões com maior infestação de vetores ou maior risco de transmissão de doenças. Sem esse suporte, ações de combate acabam sendo dispersas, menos eficazes e, muitas vezes, mais custosas.

Nesse contexto, o M.I.Aedes (Monitoramento Integrado do Aedes), desenvolvido pela Ecovec, surge como uma solução inovadora. O sistema utiliza armadilhas inteligentes para capturar mosquitos Aedes aegypti, analisados semanalmente em laboratório, gerando informações atualizadas sobre a infestação e até sobre a circulação viral.

Esses dados são disponibilizados em tempo real para gestores municipais e estaduais, permitindo respostas mais rápidas e direcionadas. Além de aumentar a eficiência no controle, a ferramenta já demonstrou reduzir custos, prevenindo casos de arboviroses e fortalecendo a vigilância em saúde pública.

Entre em contato com a Ecovec pelo WhatsApp (31) 99324-1598 ou pelo Fale Conosco para saber como o M.I.Aedes pode ser usado pelo seu município na luta contra as endemias.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn