A importância do monitoramento de vetores no controle de arboviroses

A importância do monitoramento de vetores no controle de arboviroses

As arboviroses representam um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Com ciclos de transmissão complexos, que envolvem vírus, vetores e hospedeiros, essas doenças exigem estratégias cada vez mais precisas e tecnológicas para o seu controle.

Neste cenário, a inovação é uma aliada essencial na prevenção e no monitoramento dos surtos, especialmente quando se trata do mosquito Aedes aegypti, o principal vetor urbano de arboviroses no país.

O que são arboviroses

Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes — animais como mosquitos, carrapatos e outros insetos. Esses vírus passam de um hospedeiro infectado (geralmente humano ou animal) para outro por meio da picada do vetor, sendo essencial o ciclo entre vírus, vetor e hospedeiro para ocorrer a transmissão.

O cenário das arboviroses no Brasil

Estudos epidemiológicos recentes projetam que o Brasil pode enfrentar um cenário epidêmico de dengue – principal arbovirose do país – ao longo de 2026, com estimativa de cerca de 1,8 milhão de casos prováveis da doença no período compreendido entre a semana epidemiológica 41 de 2025 e a 40 de 2026. Esses dados resultam de modelos preditivos elaborados pelo projeto InfoDengue–Mosqlimate, uma parceria entre a Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que avaliam tendências a partir de históricos epidemiológicos, climáticos e demográficos.

As projeções indicam que, ainda que os picos de incidência previstos para 2025-2026 sejam menores do que os observados na temporada de 2024-2025 – um período atípico com altas taxas de transmissão – o volume esperado de casos em 2026 permanece em um patamar elevado em comparação à média histórica recente.

Segundo o estudo, há variação regional na distribuição dos casos: mais da metade das projeções está concentrada no estado de São Paulo, e cerca de 10% dos casos são esperados em Minas Gerais, refletindo a importância demográfica dessas unidades federativas no cenário nacional de dengue.

Outros fatores podem agravar o cenário epidemiológico, como a possível expansão do sorotipo DENV-3, além da emergência de outros vírus, como o Oropouche, o Zika e o Chikungunya, que podem ser notificados como dengue, impactando os registros. Até o momento, o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde registrou mais de 35 mil casos prováveis de dengue, 2.594 casos de chikungunya, um caso de oropouche e nenhum de zika.

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Principais vetores de arboviroses

Diversas espécies de artrópodes são responsáveis pela transmissão de arbovírus em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil. Conhecer esses vetores é fundamental para ampliar o escopo das estratégias de vigilância e controle.

Aedes aegypti

O Aedes aegypti é o vetor urbano mais perigoso do Brasil e está diretamente associado à transmissão de quatro importantes arboviroses. Seu ciclo de vida curto, alta adaptabilidade aos ambientes urbanos e preferência por água parada tornam esse mosquito um desafio constante para as autoridades de saúde pública.

Dengue

A dengue é a arbovirose mais recorrente no Brasil. Causada por quatro sorotipos diferentes do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), pode infectar uma mesma pessoa mais de uma vez, e a reinfecção por outro sorotipo aumenta o risco de formas graves da doença. Os sintomas variam de febre alta, dor muscular e fadiga até manifestações hemorrágicas e choque.

Fique por dentro: Além do sorotipo – o que são as linhagens virais

Zika vírus

O vírus zika ganhou notoriedade mundial durante o surto de 2015–2016, quando foi associado a casos de microcefalia e outras malformações congênitas em bebês de mães infectadas durante a gestação. Embora os sintomas sejam geralmente leves (febre baixa, manchas vermelhas e coceira), suas complicações neurológicas exigem atenção especial das gestantes e da saúde pública.

Chikungunya

De origem africana, o vírus Chikungunya chegou ao Brasil em 2014 e rapidamente se espalhou pelo país. Sua principal característica é a dor articular intensa, que pode durar semanas ou meses e afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, há registros de sintomas neurológicos, cardíacos e oculares em casos mais graves. Uma vacina contra chikungunya já foi aprovada pela Anvisa, mas ainda não há previsão para o início da vacinação. Por isso, o controle vetorial é a principal forma de prevenção.

Febre amarela (urbana)

Embora a maioria dos casos de febre amarela no Brasil hoje esteja ligada ao ciclo silvestre (envolvendo mosquitos como Haemagogus e Sabethes), o Aedes aegypti é um vetor conhecido da febre amarela urbana. A doença pode causar febre alta, icterícia, hemorragias e falência de órgãos, com alta letalidade nos casos graves.

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Aedes albopictus

Conhecido como mosquito-tigre-asiático, a espécie está se espalhando em diversas regiões do Brasil, especialmente em áreas rurais e de mata. Embora menos adaptado ao ambiente urbano do que o Aedes aegypti, o Aedes albopictus também pode transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya. Estudos indicam que seu papel na cadeia de transmissão pode crescer, especialmente diante de mudanças climáticas e de cobertura vegetal.

Culex spp. (ex: Culex quinquefasciatus)

Esse gênero de mosquitos é comum em áreas urbanas com água poluída. Espécies como o Culex quinquefasciatus são conhecidas por transmitirem o vírus do Nilo Ocidental (West Nile Virus), que pode causar sintomas neurológicos graves, como encefalite e meningite. Além disso, são vetores de encefalites como a japonesa e a de St. Louis, doenças emergentes que exigem atenção dos sistemas de vigilância epidemiológica.

Anopheles spp.

Embora o Anopheles seja mais conhecido por transmitir a malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium, pesquisas recentes têm investigado seu potencial como vetor de alguns arbovírus. Até o momento, não há comprovação significativa de seu envolvimento direto, mas o interesse científico no assunto cresce, especialmente em áreas de sobreposição entre malária e arboviroses.

Carrapatos

Carrapatos do gênero Hyalomma são vetores do vírus da Febre Hemorrágica de Crimeia-Congo (CCHF), uma doença viral grave e com alta taxa de mortalidade. No Brasil, embora esse vírus ainda não tenha circulação confirmada, os carrapatos são vetores da febre maculosa brasileira, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. Embora não seja uma arbovirose (por não ser viral), a febre maculosa é frequentemente confundida com doenças transmitidas por vírus devido à semelhança dos sintomas iniciais.

Moscas flebotomíneas (flebotomíneos)

Esses pequenos insetos, também conhecidos como biriguis ou cangalhinhas, são vetores do vírus Toscana e outros membros do grupo Phlebovirus em regiões da Europa, onde causam encefalites virais. No Brasil, os flebotomíneos são conhecidos principalmente por sua relação com a leishmaniose, que não é uma arbovirose, mas que compartilha a mesma preocupação no contexto da saúde pública.

Importante destacar: as arboviroses formam uma ampla família viral, com mais de 500 espécies identificadas, muitas das quais mantêm ciclos silvestres complexos. Primatas, aves, roedores e outros animais podem atuar como hospedeiros intermediários. Essa interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental, que é o foco da abordagem de Saúde Única (One Health), amplia o desafio de vigilância e prevenção dessas doenças em zonas de transição entre áreas urbanas e florestais.

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Monitoramento de vetores é peça chave no controle de arboviroses

O monitoramento contínuo de vetores de arboviroses permite identificar áreas com maior densidade de mosquitos antes que surtos humanos se intensifiquem. Isso possibilita ações mais rápidas e focalizadas de remoção de criadouros, aplicação de medidas de controle e mobilização de equipes de vigilância sanitária.

A vigilância entomológica combinada com dados ambientais e demográficos fortalece as estratégias de prevenção e reduz o impacto de epidemias nos sistemas de saúde.

Tecnologia aplicada ao monitoramento de vetores de arboviroses

Ferramentas modernas têm ampliado a eficácia do monitoramento de arboviroses, como:

  • Armadilhas inteligentes para mosquitos: Equipamentos automatizados que capturam e monitoram a presença de Aedes aegypti, gerando dados georreferenciados em tempo real sobre a densidade vetorial.
  • Sensores ambientais e IoT: Dispositivos conectados à Internet das Coisas (IoT) que monitoram variáveis climáticas, como temperatura, umidade e incidência solar — fatores diretamente ligados à proliferação do mosquito.
  • Inteligência Artificial na predição de surtos: Plataformas que utilizam dados históricos, climáticos e populacionais para antecipar surtos com até semanas de antecedência, permitindo ações preventivas mais precisas.

Essas soluções não apenas otimizam o trabalho das equipes de saúde, como reduzem custos e aumentam a efetividade das campanhas de prevenção.

Saiba mais: Como prever surtos de dengue com análise preditiva

Como integrar biotecnologia ao controle de arboviroses

A Ecovec é referência nacional no uso de tecnologias avançadas para monitoramento e controle do Aedes aegypti. Com o sistema M.I. Aedes – Monitoramento Integrado do Aedes, a empresa oferece uma solução completa, baseada em:

  • Armadilhas georreferenciadas e automatizadas
  • Monitoramento contínuo e geração de dados em tempo real
  • Análise estatística e alertas preditivos
  • Apoio técnico especializado para gestores públicos e privados

Essa abordagem integrada permite não apenas mapear focos de infestação com alta precisão, mas também antever surtos com base em dados concretos, otimizando os recursos e protegendo a população. Por isso, já foi adotada por diversas prefeituras.

Quer saber como a Ecovec pode ajudar sua cidade a combater as arboviroses de forma inteligente? Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp: (31) 99324-1598 ou acesse a seção Fale Conosco do site.

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