Vigilância Entomológica, indicadores e tecnologias de monitoramento

Vigilância Entomológica, indicadores e monitoramento

Insetos podem atuar como vetores de diferentes doenças e, por isso, acompanhar suas populações é uma parte importante das ações de saúde pública. É nesse contexto que entra a vigilância entomológica.

Por meio do acompanhamento sistemático dos vetores, é possível obter informações sobre sua presença, distribuição e variações populacionais, produzindo dados entomológicos que ajudam a orientar ações no território.

Neste artigo, você vai entender o que é vigilância entomológica, quais são seus principais indicadores e como diferentes tecnologias podem transformar a coleta de informações sobre os vetores em dados úteis para a tomada de decisão

O que é vigilância entomológica?

A vigilância entomológica é uma ação realizada pelas equipes municipais de saúde, voltada ao levantamento de informações sobre insetos vetores e sua interação com o ambiente. Ela pode ser realizada por meio de levantamentos amostrais nos imóveis ou pelo uso de armadilhas, de acordo com a metodologia adequada ao vetor e ao objetivo do monitoramento.

A partir desses levantamentos, especialmente se integrados à territorialização em saúde, é possível obter indicadores entomológicos que permitem acompanhar a presença, a distribuição geográfica e a densidade dos insetos no tempo e no espaço.

Para que serve a vigilância entomológica?

A vigilância entomológica permite acompanhar diferentes características das populações de insetos vetores de doenças – como o Aedes aegypti – e, a partir dessas informações, orientar ações de prevenção e controle.

Entre suas principais finalidades estão:

  • Identificar a presença e a distribuição dos vetores: verificar se determinada espécie está presente em uma área e quais regiões ela ocupa. Em locais onde ainda não foi detectada, o monitoramento também pode contribuir para identificar precocemente uma possível introdução.
  • Acompanhar a densidade e as variações populacionais: coletas realizadas periodicamente permitem comparar os resultados ao longo do tempo e identificar mudanças na população do vetor que uma observação isolada não conseguiria mostrar.
  • Identificar áreas prioritárias: os resultados podem indicar locais com maior presença ou recorrência do vetor, ajudando a direcionar inspeções e medidas de controle. O Ministério da Saúde recomenda que as ações de controle sejam direcionadas a partir do monitoramento entomológico.
  • Avaliar as ações de controle vetorial: o acompanhamento não precisa terminar depois de uma intervenção. Novos levantamentos podem ajudar a verificar a situação da população do vetor e subsidiar a avaliação das medidas adotadas.
  • Acompanhar a resistência aos inseticidas: a vigilância também pode incluir o monitoramento da suscetibilidade das populações de vetores aos inseticidas utilizados no controle.

Assim, a vigilância entomológica não serve apenas para saber se um vetor está presente. Ela permite acompanhar sua distribuição e densidade e usar essas informações para decidir onde, quando e como as ações de controle devem ser realizadas.

Saiba mais: A importância do monitoramento de vetores no controle de arboviroses

Vigilância entomológica, epidemiológica e genômica são a mesma coisa?

Não. Embora possam trabalhar de forma integrada, essas três abordagens acompanham aspectos diferentes de um problema de saúde pública.

  • Vigilância entomológica: observa os vetores, acompanhando sua presença, distribuição e densidade no território.
  • Vigilância epidemiológica: acompanha os eventos relacionados à saúde da população, identificando mudanças na ocorrência de doenças e agravos e subsidiando medidas de prevenção e controle.
  • Vigilância genômica: analisa informações do material genético dos microrganismos, permitindo acompanhar características genéticas dos agentes infecciosos e suas mudanças ao longo do tempo.

Uma modalidade não substitui a outra, muito pelo contrário: complementam-se. Em um cenário de dengue, por exemplo, a vigilância entomológica pode acompanhar a população de Aedes aegypti no território; a vigilância epidemiológica, os casos da doença registrados na população; e a vigilância genômica, as características genéticas dos vírus da dengue.

São informações diferentes, mas que podem ser analisadas em conjunto para apoiar a tomada de decisão.

Leia também: Indicadores epidemiológicos, SINAN e a importância de dados em tempo real

Como é feita a vigilância entomológica?

A metodologia utilizada na vigilância entomológica depende da espécie monitorada, do objetivo do levantamento, das características do território e da fase do ciclo de vida que se pretende acompanhar. Por isso, não existe um único método aplicável a todas as situações.

As estratégias podem envolver levantamentos amostrais em imóveis ou o uso de armadilhas, por exemplo. No caso de mosquitos, é possível utilizar métodos voltados para a coleta de ovos, formas imaturas ou adultos, conforme a finalidade do monitoramento.

Imagine, por exemplo, um município que queira acompanhar a presença de Aedes aegypti. Uma estratégia pode utilizar armadilhas para coletar ovos e, a partir dos resultados obtidos em diferentes pontos e períodos, acompanhar a distribuição do vetor no território. Outra abordagem pode envolver a captura de mosquitos adultos, quando o objetivo é obter informações diretamente sobre essa fase do ciclo de vida.

O importante é que o método seja adequado à pergunta que a vigilância pretende responder. A escolha da metodologia determina o tipo de informação que será obtida e, consequentemente, quais indicadores poderão ser calculados.

Leia também: É possível prever surtos de dengue com análise preditiva

Quais são os principais indicadores entomológicos?

Os indicadores entomológicos ajudam a transformar os resultados das coletas em medidas que podem ser comparadas entre diferentes locais e períodos. Os principais são os relacionados às diferentes fases de vida do vetor.

Indicadores relacionados às larvas

Os principais indicadores relacionados à fase larval são:

  • Índice de Infestação Predial (IIP): indica o percentual de imóveis pesquisados que apresentam formas imaturas do mosquito.
  • Índice de Breteau (IB): relaciona o número de recipientes positivos para o mosquito ao número de imóveis pesquisados, padronizado para 100 imóveis.
  • Índice de Tipo de Recipiente (ITR): mostra a participação dos diferentes tipos de recipientes entre aqueles encontrados positivos.

Esses indicadores podem ser obtidos por metodologias como o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e o Levantamento de Índice Amostral (LIA), sendo esta última geralmente utilizada em municípios com menor número de imóveis.

Esses índices fornecem informações importantes sobre a presença de formas imaturas e os recipientes envolvidos na infestação, mas não medem diretamente a população de mosquitos adultos. Por isso, quando o objetivo é acompanhar a fase adulta, é necessário utilizar metodologias específicas para sua captura e monitoramento.

Indicadores relacionados aos ovos

Quando o monitoramento utiliza ovitrampas – armadilhas usadas para coletar ovos -, dois indicadores são particularmente importantes:

  • Índice de Positividade de Ovos (IPO): indica a proporção de armadilhas que apresentaram ovos.
  • Índice de Densidade de Ovos (IDO): indica a quantidade de ovos encontrados nas armadilhas positivas, conforme a metodologia utilizada.

Indicadores relacionados aos mosquitos adultos

O monitoramento de mosquitos adultos também pode gerar indicadores de positividade e densidade, mas as siglas e fórmulas utilizadas podem variar conforme a metodologia e o tipo de armadilha.

Em um estudo realizado em Belo Horizonte, por exemplo, pesquisadores utilizaram a MosquiTRAP para monitorar Aedes aegypti e calcularam o Índice de Positividade de MosquiTRAP (IPM) e o Índice de Densidade de Adultos (IDA). O IDA correspondeu ao número de mosquitos adultos capturados dividido pelo número de armadilhas utilizadas.

Outros estudos também utilizam denominações como Índice de Positividade de Adultos (IPA) e Índice de Densidade de Adultos (IDA) ou variações dessas siglas, como este estudo publicado na revista Cadernos Saúde Coletiva, que avaliou diferentes armadilhas para a captura de Aedes aegypti em condições de campo. Além do IPA e IDA, foi utilizado também o Índice Médio de Fêmeas de Aedes aegypti Capturadas (IMFA).

Ao interpretar um indicador de mosquitos adultos, é importante considerar qual armadilha foi utilizada, o que foi considerado uma captura positiva e como o indicador foi calculado.

Fique por dentro: Ecovec desenvolve metodologia para detectar arbovírus em mosquito

Um indicador entomológico consegue mostrar sozinho o risco de uma epidemia?

Não. Um indicador entomológico fornece informações sobre determinados aspectos da população do vetor, mas não deve ser interpretado isoladamente como uma previsão de ocorrência de casos ou de uma epidemia.

No caso da dengue, por exemplo, encontrar uma maior densidade de Aedes aegypti em determinada área indica uma condição relacionada ao vetor, mas o risco de transmissão também depende de outros elementos, como a circulação do vírus e as características do território. Por isso, os dados entomológicos precisam ser analisados em conjunto com outras informações para orientar a avaliação de risco e as medidas de controle.

Além disso, um único levantamento representa uma situação em determinado momento. O acompanhamento contínuo permite observar tendências, identificar aumentos ou reduções nos indicadores e comparar diferentes períodos e áreas. 

Por isso, o valor dos indicadores entomológicos está menos em produzir uma previsão isolada e mais em gerar evidências que, analisadas ao longo do tempo e em conjunto com outras informações, ajudam a identificar situações de maior atenção e orientar decisões de vigilância e controle.

Veja também: Guia das principais endemias no Brasil

Como a Ecovec estrutura seu modelo de vigilância entomológica?

A vigilância entomológica ganha valor quando os dados coletados de forma sistemática conseguem orientar decisões no território. É essa lógica que estrutura o M.I.Aedes (Monitoramento Integrado do Aedes), tecnologia desenvolvida pela Ecovec para acompanhar a infestação de Aedes aegypti.

O modelo utiliza armadilhas inteligentes, distribuídas de forma planejada, e realiza o monitoramento semanal das fêmeas fecundadas capturadas. A implantação considera a área que será monitorada e o mapeamento do território para definir a distribuição e a quantidade de armadilhas.

A cada ciclo, os mosquitos coletados são encaminhados ao laboratório, onde passam por análise. Os resultados são então disponibilizados aos gestores, permitindo acompanhar a situação da infestação e direcionar as ações de controle para as áreas que demandam atenção. Esse processo gera dados entomológicos constantes ao longo do ano.

E o diferencial está justamente na continuidade do monitoramento. Em vez de depender de um levantamento pontual, o município passa a acompanhar a situação do vetor de maneira sistemática, comparando os resultados ao longo do tempo e utilizando essas informações para apoiar decisões operacionais.

Saiba mais sobre como o M.I.Aedes pode tornar mais inteligente a vigilância entomológica da sua cidade entrando em contato com a Ecovec pelo WhatsApp: (31) 99324-1598 ou pelo Fale Conosco aqui no site.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn