Quando se fala em dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, é comum imaginar o mosquito se proliferando em terrenos baldios, lixões ou áreas abandonadas. No entanto, a realidade é bem diferente, e mais próxima do que parece. Segundo dados do Ministério da Saúde, 75% dos focos do mosquito estão dentro das casas das pessoas.
Essa informação, apesar de alarmante, é essencial para reformular a forma como enxergamos o combate às arboviroses. O inimigo não está apenas “lá fora”. Ele pode estar no vaso da sua planta, no pratinho do bebedouro do seu pet ou até atrás da sua geladeira. E, por isso mesmo, a responsabilidade pela prevenção precisa ser compartilhada entre o poder público e a população.
A origem dos dados
Antes de analisarmos os números, um esclarecimento técnico: embora se costume dizer “focos de dengue“, a terminologia correta é “focos de Aedes aegypti“, já que a dengue é transmitida pelo mosquito. Ainda assim, a expressão ajuda a conscientizar a população sobre o fato de que onde tem mosquito, pode ter a doença.
A constatação de que 3 em cada 4 focos de Aedes aegypti estão dentro das residências veio de uma ampla análise feita pelo Ministério da Saúde com base nos Levantamentos Rápidos de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e nos Levantamentos de Índice Amostral (LIA) de 2023. Essas metodologias são amplamente utilizadas em todo o Brasil para identificar e mapear os criadouros do mosquito em áreas urbanas.
O LIRAa é um levantamento amostral rápido, realizado periodicamente, que permite apontar quais tipos de depósitos são mais encontrados com larvas do mosquito e em que áreas da cidade eles estão concentrados. Já o LIA é aplicado com foco estatístico em áreas de maior risco, sendo uma ferramenta complementar e mais precisa.
Esses dados são utilizados para direcionar as ações dos agentes de saúde, medidas de emergência e campanhas públicas, como a Resposta Coordenada para Combate às Arboviroses do Ministério da Saúde. E os resultados de 2023 foram claros: o ambiente doméstico concentra a maior parte dos focos do mosquito da dengue em residências.
Em entrevista ao programa de rádio Bom dia, Ministra, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a ministra da saúde, Nísia Trindade, relembrou o dado e reforçou a necessidade de que cada cidadão se torne um agente ativo de prevenção, cuidando do próprio lar e também ajudando a conscientizar vizinhos e familiares.
Se cada morador dedicar 10 minutos por semana para inspecionar seu ambiente, já é possível reduzir significativamente os focos de mosquito da dengue e ajudar a evitar também surtos de zika e chikungunya.
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Principais focos de dengue em residências
Mas afinal, onde exatamente o mosquito da dengue está se reproduzindo dentro das casas? A resposta passa por hábitos cotidianos que muitas vezes passam despercebidos.
A seguir, listamos os principais criadouros domésticos identificados nos levantamentos do Ministério da Saúde, além de recomendações práticas para eliminar os focos de dengue:
Vasos e pratinhos de plantas
Esses itens decorativos são, frequentemente, criadouros silenciosos de mosquito. A água que escorre do regador e se acumula nos pratinhos serve de local ideal para a fêmea do Aedes depositar seus ovos.
Como evitar: Substitua os pratinhos por suportes secos ou preencha-os com areia até a borda. Lave os vasos com escova pelo menos uma vez por semana para eliminar possíveis ovos aderidos.
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Garrafas, baldes e recipientes descobertos
Recipientes de uso ocasional, como garrafas vazias, bacias, baldes e potes, muitas vezes ficam esquecidos em varandas, quintais ou áreas de serviço. Basta uma chuva ou uma torneira mal fechada para que eles acumulem água.
Como evitar: Armazene com a boca virada para baixo, tampe bem ou guarde em local coberto. Faça inspeções periódicas, especialmente após chuvas.
Geladeiras antigas com bandeja de degelo
Alguns modelos de geladeira mantêm, na parte traseira, uma bandeja que coleta o excesso de água. Em ambientes abafados e úmidos, essa área pode se tornar um foco escondido e persistente.
Como evitar: Verifique a bandeja semanalmente e limpe com água sanitária diluída. Mantenha a área arejada e livre de poeira.
Bebedouros de animais
A água parada no recipiente dos pets pode parecer inofensiva, mas se não for trocada com frequência, pode abrigar larvas do mosquito.
Como evitar: Troque a água dos animais diariamente e lave os potes com escova e sabão pelo menos uma vez por semana. Isso também ajuda a proteger a saúde do próprio animal.
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Fontes decorativas e aquários abertos
Elementos de decoração como pequenas fontes com circulação deficiente ou aquários sem tampa favorecem o acúmulo de água parada.
Como evitar: Mantenha os filtros funcionando adequadamente, troque a água com frequência e, se possível, use telas para cobrir as aberturas.
Materiais de construção e entulhos
Em muitos lares, restos de obra e materiais como calhas, lonas, tambores e blocos de concreto são deixados ao ar livre. Esses itens acumulam água da chuva e se transformam em focos de dengue perigosos.
Como evitar: Armazene esses materiais em locais cobertos, perfure tambores para permitir o escoamento da água e estique bem as lonas para evitar poças.
Outros focos comuns e muitas vezes ignorados:
- Calhas entupidas com folhas e sujeira;
- Caixas d’água destampadas;
- Lonas sobre objetos mal esticadas, formando bolsões de água;
- Ralos de banheiro ou lavanderia com acúmulo de água e pouco uso;
- Bandejas de ar-condicionado;
- Pneus velhos esquecidos no quintal ou jardim.
É importante lembrar que, mesmo quando a água acumulada é pouca, como em tampinhas de garrafa ou folhas grandes, pode ser suficiente para abrigar ovos e larvas do mosquito. A vigilância precisa ser constante e criteriosa, especialmente nos lugares onde o mosquito da dengue se reproduz.
O levantamento do LIRAa/LIA aponta ainda que caixas d’água e demais depósitos de armazenamento de água elevados ou no nível do solo respondem por 22% dos focos de dengue, ficando em segundo lugar na lista de criadouros, seguidas de pneus e lixo, com 3,2%.
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Tecnologia ajuda a identificar os principais focos de dengue em tempo real
Enquanto o cuidado com o ambiente doméstico é uma etapa essencial dentre as ações de prevenção da dengue mais efetivas, a atuação em nível coletivo também exige planejamento, monitoramento e respostas rápidas. Nesse contexto, a tecnologia se tornou uma grande aliada no combate à dengue.
A Ecovec desenvolveu o M.I.Aedes – Monitoramento Integrado do Aedes, um sistema inovador que oferece soluções inteligentes para o rastreamento de focos do mosquito em áreas urbanas. Por meio de armadilhas inteligentes e análise automatizada de dados, o sistema oferece:
- Monitoramento georreferenciado em tempo real;
- Identificação rápida de áreas com maior risco de proliferação;
- Suporte técnico e científico para equipes de saúde pública;
- Dados consolidados e confiáveis para orientar políticas públicas;
- Redução de custos e aumento da eficácia nas ações de combate.
O M.I.Aedes é utilizado por prefeituras e governos estaduais com gestores preocupados com a saúde coletiva, ajudando a tomar decisões mais precisas e proativas na gestão do risco.
Quer saber como o M.I.Aedes pode contribuir com a sua cidade ou organização? Entre em contato com a equipe da Ecovec pelo WhatsApp: (31) 99324-1598 ou solicite um contato pelo Fale Conosco.




